domingo, 19 de dezembro de 2010

reCriação


    Aniquilei todas as minhas verdades absolutas, coloquei-as em sacos de dormir e as joguei em algum lugar onde as linhas do esquecimento é regra e lei.
    Construi novas verdades, desta vez diversas, com toques especiais de idéias alheias e exagero de incertezas, ajustes de liberdade, companherismo e pouquíssima seriedade, afinal, sabe-se, as verdades são só suas e somente. 
    Acrescentei outras peças esquecidas a esse corpo de "Frankstein", bizarro e cheio de descontinuidades e costuras. Outras partes encontrei em ruas, vagando em profundos e escuros oceanos, mergulhado em folhas verdes, escorrendo por esgotos de águas translúcidas ou presas em bocas sujas e mal cheirosas, algumas em copos usados de mesa de bar.
    Soprei-lhe vida, pus-lhe sentidos dos quais o melhor foi a tolerância. Adcionei-lhe uma suave fragrância de imperfeição, porque tudo que  é bom, na verdade é imperfeito.
    

Dei-lhe o toque final,
Ensinei-o a arte de ouvir, e cada nova idéia  ele aprendeu a se transformar.

3 comentários:

Gavriell disse...

Fora um bom dia, aquele sábado. Dia de festa. Dia de criação. Dia de aprendizado.

Vinícius Costa disse...

Foi muito bom! Contatos mentais de 2º grau de cabeças borbulhantes! Criei, aprendi...

Estilhaços de silêncio... disse...

Entre cortes e recortes outros corpos entre copos vão surgindo...Salve o poeta Viníciu Costa!
Bjo grande Vini...lindo seu arranjo fonético de palavras embriagadas...estava com receio de que tivesse abandonado-me nestes caminhos "palavrórios" e virtuais.
Abraço forte!